Jazz Collection Plus – #5 – Herbie Hancock e Gregory Porter

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Jazz Collection Plus – #5 - Herbie Hancock e Gregory Porter
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Nesta edição do Jazz Collection Plus, o seu ponto de encontro com a música e informação de qualidade aqui na Rádio Social Plus Brasil. Vamos se conectar com as ondas sonoras deste gênero frenético do jazz para trazer histórias envolventes como essas que separamos de duas grandes personalidades deste meio artístico musical.

Herbie Hancock

Começando com ele, que é considerado um verdadeiro ícone da música moderna e mestre do jazz Herbert Jeffrey Hancock, ou apenas Herbie Hancock. Nascido em Chicago em 1940, ele foi uma criança prodígio do piano que, inclusive, tocou um concerto de piano de Mozart com a Orquestra Sinfônica de Chicago aos 11 anos. No ensino médio, ele começou a tocar jazz sob a influência de Oscar Peterson e Bill Evans. E com a paixão que desenvolveu por música eletrônica e ciência, se formou em música e engenharia elétrica no Grinnell College. E o sucesso não demorou tanto para acontecer.

Em 1960, Herbie foi descoberto pelo trompetista Donald Byrd. Após dois anos de sessões de trabalho com Byrd, além de Phil Woods e Oliver Nelson, ele assinou com a Blue Note como artista solo e seu álbum de estreia de 1963, ‘Takin’ Off’, se tornou um sucesso imediato, produzindo o hit “Watermelon Man”.

E com isso, sua vida começou a mudar e ganhar novos desafios. Porque em 1963, Miles Davis o convidou para se juntar ao Miles Davis Quintet. Durante seus cinco anos com Davis, Herbie e seus colegas gravaram muitos clássicos e apareceu no inovador ‘In a Silent Way’ de Davis. Ao longo dos anos, a carreira solo de Herbie deu muitos saltos com álbuns clássicos, incluindo ‘Maiden Voyage’, ‘Empyrean Isles’ e ‘Speak Like a Child’.

Ele ainda compôs a trilha sonora do filme de Michelangelo Antonioni ‘Blow Up’, de 1966, que o levou a uma carreira de sucesso no cinema e na música para a televisão. Após deixar Davis, Hancock montou uma nova banda chamada The Headhunters e, em 1973, gravou o álbum ‘Head Hunters’ e fez muito sucesso com o single “Chameleon”. Tanto que o álbum foi o primeiro de jazz a ganhar um disco de platina. E em sua prateleira, ainda tem um Oscar em 1986 pela trilha sonora do filme “’Round Midnight”, no qual também atuou como ator.

Um músico e instrumentista multifacetado como esse só podia ser amigo de brasileiro, não é mesmo? Pera que eu explico. Em 1967, logo após conquistar o Brasil com “Travessia”, Milton Nascimento foi convidado pelo arranjador Eumir Deodato a gravar um disco nos Estados Unidos voltado para o público norte-americano, que foi “Courage”, lançado em 1969, que deu o pontapé inicial na carreira internacional do artista. E este álbum traz a participação de Herbie Hancock, que se tornaria colaborador frequente de Nascimento. Em “Courage”, por exemplo, está a versão em inglês de “Travessia”, chamada “Bridges”, que encantou a diva do jazz Sarah Vaughan e foi regravada por ela ao lado de Milton no final dos anos 1970.

Em entrevista ao Estado de Minas, Herbie conta que o primeiro encontro dele com o nosso Bituca ocorreu no Copacabana Palace, em 1968, quando veio ao Rio de Janeiro para curtir a lua de mel com a esposa. E a partir dali, ao ouvir as composições do brasileiro ainda em seu início de carreira, houve o início de uma grande parceria e a admiração de uma vida inteira. Herbie, que hoje está com 81 anos, afirmou ao jornal que nunca ia se esquecer desse primeiro encontro e que o som de Milton o surpreendeu. Que moral hein, Milton Nascimento!

Gregory Porter

Agora, pegando um voo de Chicago e indo com destino a Sacramento, na Califórnia, é hora de falar de um dos principais artistas contemporâneos do jazz, Gregory Porter, cantor, compositor e ator duas vezes vencedor do Grammy de Melhor Álbum Vocal de Jazz. Ele que tem sete irmãos foi criado em Bakersfield, onde sua mãe era ministra e grande influência em sua vida, tendo-o incentivado a cantar na igreja desde a juventude. Sem a presença do pai ou de alguma figura paterna, Gregory se formou em 1989 pela Highland High School, onde recebeu uma bolsa de estudos atlética completa como atacante de futebol da San Diego State University, porém uma lesão no ombro durante o seu primeiro ano interrompeu a sua carreira no esporte. Mais tarde, quando tinha 21 anos, sofreu a perda da mãe devido a um câncer. Em seu leito de morte, ela teria implorado ao filho para que não parasse de cantar e prosseguir seu sonho de trabalhar com a música.

Então, Porter mudou-se para o Brooklyn em 2004, junto com seu irmão Lloyd. Ele trabalhou como chef em um restaurante onde também se apresentou, assim como em outros locais do bairro. Entre uma apresentação e outra, ele foi criando sua banda de turnê. Ele chegou a lançar dois álbuns: Water, em 2010 e Be Good, em 2012, porém sUm detalhe interessante sobre este músico que se inspirou em outros artistas como Donny Hathaway, Nat King Cole e Ray Charles, além da música gospel, é que ele sempre é visto publicamente com um gorro passa-montanhas (ou balaclava), adereço um tanto quanto misterioso. O que se sabe, ao certo, é que ele passou a usá-lo quando foi submetido a cirurgias no rosto há alguns anos.

Liquid Spirit é um de seus maiores sucessos em sua carreira que ainda tem muito pela frente e que já conta com sete álbuns lançados. Tanto que o New York Times o descreveu como “um cantor de jazz de presença emocionante, um barítono em expansão com um dom para o refinamento da terra e elevação crescente” em sua crítica sobre Liquid Spirit.

Produção e apresentação: Leandro Massoni
Direção: Cleber Almeida

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