Renato Russo: os 26 anos sem o trovador solitário

Os fãs de rock nacional estão, há 26 anos, viúvos de um dos maiores nomes da música brasileira. Em 11 de Outubro de 1996, morria Renato Russo, aos 36 anos, por complicações em sua saúde em decorrência da AIDS.

 

Ainda hoje, jovens e não tão jovens assim admiram suas letras que parecem falar diretamente conosco sobre uma fase da nossa vida. Renato Russo era um exímio tradutor da emoção humana e escreveu um capítulo importante da MPB com canções lendárias como Será, Perfeição, Eu sei, Pais e Filhos, Tempo Perdido e muitas outras.

 

Antes da fama

 

Renato, que ficou conhecido como Russo, antes disso foi Renato Manfredini Júnior, nascido no Rio de Janeiro em 27 de Março, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Como bom ariano, trabalhou com muitas coisas antes de se tornar músico. Foi professor de Inglês e locutor de uma rádio em Brasília, onde falava sobre jazz e sobre os Beatles.

 

Com apenas 15 anos, o cantor foi diagnosticado com epifisiólise, uma doença óssea. Por causa disso, ele teve que colocar três pinos de platina na região da pelve. Na época, Renato ficou de cama por seis meses, quase sem se mexer, e levou mais de um ano e meio para se recuperar numa cadeira de rodas.

 

Apesar de ser um garoto da classe média de Brasília, Renato costumava transitar pela cidade de ônibus e com isso conseguiu os insumos para retratar a cultura popular da cidade de maneira muito fidedigna. Nesta ocasião, surgiam vários grupos de rock que também fizeram muito sucesso posteriormente, como Capital Inicial, Plebe Rude e Paralamas do Sucesso.

 

Renato lutava contra a depressão e, mesmo depois da fama com a Legião Urbana, chegou a tentar suicídio, cortando os próprios pulsos em 1984.

No mundo da música

 

Em 1980, Renato Russo estreou com a sua primeira banda, Aborto Elétrico, que tinha uma pegada mais punk rock.

 

Já em 1982, em conjunto com Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná e Paulo Guimarães, e posteriormente com Dado Villa-Lobos assumindo a guitarra, surgiu a banda Legião Urbana, que trazia claras influências nas performances e no som de The Smiths e The Cure, bandas de rock britânicas que faziam estrondoso sucesso na época.

 

As letras brilhantemente escritas por Renato Russo tratavam de temas românticos, das dores do mundo e também tinham uma pitada de sarcasmo.Algumas histórias que marcaram a geração foram contadas através das músicas do Legião, como Faroeste Caboclo e Eduardo e Mônica.

 

O sucesso da banda foi tão impactante que atingiu a marca de 14 milhões de discos vendidos, juntando os 16 álbuns que foram produzidos pela Legião Urbana, que ficou ativa entre 1982 e 1996.

 

Renato e sua família

 

Filho do funcionário público do Banco do Brasil, Renato Manfredini, e da professora de inglês, Maria do Carmo, Renato Russo desfrutou de uma infância confortável e teve a oportunidade de morar nos Estados Unidos dos sete aos dez anos, por causa de uma transferência profissional de seu pai. 

 

Sua irmã, Carmen Teresa, três anos mais nova, conta em entrevistas como viu seu irmão se tornar o grande ídolo de uma geração e lamenta o afastamento do único sobrinho, Giuliano Manfredini, fruto de uma relação do cantor com uma fã.

 

Giuliano foi criado pela família de Renato Russo após seu falecimento e de sua mãe, vítima de um acidente de carro. No entanto, após atingir a maioridade, Giuliano se afastou da família e trava, ainda hoje, uma disputa judicial pelo legado do pai contra os integrantes da banda Legião Urbana.

 

No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a sentença, em julho de 2021,concedendo a autorização de uso do nome Legião Urbana por Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, inclusive para realizar shows como banda.

 

A partida de Renato Russo

 

A causa da morte de Renato Russo foi o agravamento de uma doença pulmonar obstrutiva crônica, septicemia (infecção generalizada) e infecção urinária em consequência da AIDS. Renato  era soropositivo desde 1989, mas nunca assumiu publicamente a doença.

 

Renato quase morreu de overdose três vezes: duas no Rio de Janeiro e uma em Brasília. Esta última foi considerada a pior: ele estava com um familiar que acabou internando o artista em estado grave após ter usado cocaína por três dias. Foi quando ele largou a cocaína, mas se concentrou no álcool.

 

Entre abril e maio de 1993, Renato Russo passou 29 dias na clínica Vila Serena, no Rio de Janeiro. O cantor tentou tratar o vício de substâncias químicas e álcool. Nesse período, o cantor documentou seu cotidiano, escreveu sobre seu cotidiano, seu passado e expectativas e os rabiscos viraram um livro chamado “Só por hoje e para sempre – Diário do recomeço”.

 

Sua partida foi noticiada em com muita tristeza em grande parte da mídia nacional. As homenagens ao cantor e compositor vão de filmes, livros e CDs. Obras como os filmes Faroeste Caboclo (2013), de direção de René Sampaio e Somos Tão Jovens (2013), de Antonio Carlos da Fontoura. 

 

A última apresentação de Renato Russo com a Legião Urbana foi em 14 de janeiro de 1995, na casa de shows “Reggae Nights” em Santos, São Paulo. O show fazia parte de uma turnê que foi cancelada logo após o show. Nesta ocasião, Renato deitou no palco e pediu para desligar todas as luzes e o público começou a cantar “Faroeste Caboclo”. 

 

Assim foi a despedida do público. A partida de Renato Russo deixa a tristeza de uma morte precoce e de uma vida marcada pela melancolia, que fica evidente no último disco do músico, “A Tempestade”.

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