Temporada revisita vida e obra de Dick Farney, o pai da bossa nova

Em 4 de agosto de 1987 morria, aos 65 anos, Dick Farney, músico carioca de renome internacional e dono de uma das vozes mais marcantes de sua época. Cravado na história da música como criador do samba-canção e também considerado pai da bossa nova, o cantor, pianista, ator e apresentador de rádio e televisão agora ganha temporada de homenagens em sua memória. Sobrinha e pesquisadora da obra do artista, Mariangela Toledo Silva assina a curadoria de Dick Farney – Alguém Como Tu.

Há sete anos Mariangela Toledo Silva debruçou-se com mais afinco sobre a pesquisa da vida e obra de seu tio e, mesmo tendo convivido muito de perto, fez descobertas que nem ela nem o capa-2-Temporada revisita vida e obra de Dick Farney, o pai da bossa nova-Radio Tom Social filho de Dick Farney, Eduardo Dutra e Silva, tinham conhecimento. É de conhecimento público a história da obra com mais de 300 discos gravados, sucesso nas rádios como a Nacional do Rio de Janeiro e até mesmo na N.B.C. e C.B.S. dos Estados Unidos. Ídolo de sua época, descobriu-se ainda que Farney também trabalhou nos estúdios Walt Disney, como cantor e dublador tanto para o português como o inglês, língua que tinha fluência assim como italiano, francês e até grego.

Filho de família carioca abastada, Farney estudou desde muito cedo música erudita e canto lírico por influência dos pais, motivo pelo qual também circulou desde cedo nas rodas de artistas que participavam de saraus em sua residência e de amigos; mas apaixonou-se pelo jazz americano, então mal visto pela elite da época, o que lhe rendeu diversas histórias desde suspensão na escola e até ter sua voz na rádio reconhecida pela mãe, apesar de ter tentado se disfarçar sob codinome de Tom Morgan. Histórias como estas ilustram o livro Dick Farney – Alguém Como Tu, que será lançado em novembro pela editora Autobiografia trazendo as minúcias das pesquisas de Mariangela Toledo. “É uma honra imensa trazer a público um panorama da história de Dick Farney. Em vida ele me expressou o desejo de que isso virasse um livro e me presenteou com um baú cheio de materiais dele. Agora é a hora de homenageá-lo: pra mim um tio e padrinho amável e para a música, um nome que não pode jamais ser esquecido”, explica a autora.

O livro será lançado neste ano em referência aos exatos 70 anos de lançamento da música Copacabana, de João de Barro e Alberto Ribeiro, que Dick Farney gravou em 1946, inaugurando a era do samba-canção, e definiu o artista como fundador do estilo que perdurou por muitos anos e influencia estilos até hoje.

Uma compilação de recortes históricos sobre o artista estarão em exposição durante o mês de agosto na Igreja das Chagas do Seráphico Pai São Francisco, santo do qual Dick Farney era devoto. Fotografias inéditas, cartas, bilhetes, objetos pessoais e, claro, músicas raras são alguns dos itens que compõem a mostra. Com montagem do artista plástico Paolo Quaglio, cinco painéis farão um breve passeio pela vida e obra do artista dos anos 40 aos 80 passando por raridades encontradas na pesquisa feita por Mariangela como a gravação de V-Discs, mídia especial que o governo americano enviava aos soldados no fronte da guerra – façanha esta que Dick Farney foi o único brasileiro a conquistar e ainda a dividir a bolacha com ninguém menos que Frank Sinatra. A mostra abre, não coincidentemente, dia 4 de agosto, data de falecimento do artista.

Mostra Dick Farney – Alguém Como Tu
De 4 a 30 de agosto de 2016
Local: Igreja das Chagas do Seráphico Pai São Francisco
Endereço: Largo São Francisco, 173 – Sé. São Paulo-SP.
Horário de visitação:
10h as 16h

Livro Dick Farney – Alguém Como Tu
Editora Autobiografia
Lançamento em novembro – data a definir.